Promotor
Associação Cultural Teatromosca
Sinopse
Paula, uma jovem podcaster de Lisboa, chega de Portugal para documentar o trabalho dos funcionários do matadouro Socopa-Viandes em Coutances, na Normandia. No entanto, o motivo principal da sua viagem à região é encontrar o seu primo, que vive a poucas horas de distância e com quem está em contacto há vários meses. Paula tem raízes francesas por parte da mãe. Na casa do primo, tudo é acolhedor: uma sala de estar acolhedora, porcelana, um tapete, um gato e um canário. Um refúgio. Aos poucos, vão desenterrando os segredos de uma linhagem marcada pelo incesto e pelos abusos, impunes e transmitidos de geração em geração; juntos, viajam no tempo, evocando o mito familiar. Paris, 1870. A cidade está cercada pelos prussianos. Dois pequenos criminosos escalam o muro do Jardim das Plantas e vendem a carne dos animais do jardim zoológico a um casal de restauradores. Abatem os animais, transformam-nos em patés e guisados ??e, assim, fazem fortuna. Com a guerra perdida e a Comuna esmagada, precisam de se reinventar. Então, decidem abrir uma loja de brinquedos. Uma estratégia de marketing, um gesto de negação: exibir o crime, ao estilo da Toys "R" Us. Ursos de peluche e girafas tornam-se emblemas de uma perversão disfarçada. Esta "maquilhagem" torna-se o "modelo de negócio" da família: a violência torna-se tradição, o abuso torna-se folclore, a impunidade passa a ser uma marca de sucesso. Mais tarde, a década de 1970 oferece um vocabulário de liberdade — sequestrado para justificar o controlo. Tudo é relativo: o que é predação pode ser apelidado de "experiência", a violação é vista como um "despertar". Para quebrar o ciclo, a mãe de Paula parte para Portugal — talvez tarde demais, talvez sozinha. No presente, Paula recolhe, reúne e organiza as suas histórias. O primo oscila entre a consciência e a negação. O matadouro, o Jardim das Plantas e a casa acolhedora tornam-se três palcos de uma mesma fabricação: transformar o irreparável num produto apresentável.
Reconhecendo a importância da horizontalidade na gestão e desenvolvimento das várias fases do projeto, os profissionais que integram a equipa artística e técnica deste espetáculo assumem o compromisso com uma maior democratização dos processos criativos e de produção, aproximando-se de práticas onde o poder é partilhado e os processos criativos resultam, essencialmente, de um esforço coletivo, onde todos os membros contribuem, equitativamente, para o trabalho, desafiando modelos hierárquicos tradicionais. Assinalando uma clara mudança de estruturas narrativas convencionais e do domínio autoral para modos de produção mais fluidos e descentralizados, alinhado com práticas contemporâneas onde os papéis dos criadores, dos performers e até dos próprios públicos se cruzam e interagem de modos inovadores, procurando promover a inclusão e a multiplicidade de vozes, o projeto afasta-se assim de uma ideia de teatro hierarquizado e demasiado centrado no texto, caminhando antes em direção a estruturas mais colaborativas e participativas.
Ficha Artística
Textos: Jules Sagot | Direção: Lisa Hours | Tradução: Margarida Madeira | Interpretação: Pedro Alves, Leonor Cabral, Tom Pezier e Manuel Severi | Banda sonora original: Calcutá | Apoio dramatúrgico: Maria Carneiro | Ilustração: Alex Gozblau | Desenho de luz: Marco Lopes - Show Doutor | Operação técnica: Paulo Winz e Francisco Semedo | Cenografia: Pedro Silva | Figurinos: Catarina Graça | Costureira: Rosário Balbi | Direção de produção: Inês Oliveira e Violaine Nöel | Produção executiva e fotografia: Catarina Lobo | Cocriação: teatromosca e Les Bâtards Dorés | Coprodução: Cinema-Teatro Joaquim d'Almeida | Financiamento: República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto | DGARTES – Direção-Geral das Artes e Câmara Municipal de Sintra
Preços
Bilhete Geral - 7€
Mobilidade reduzida - 5€
Descontos:
Sénior + 65 anos - 5€
Jovem até 25 anos - 5€
Pack Família (mín. 4 bilhetes) - 5€
Pessoa com deficiência - 5€
Estudante - 5€
Desempregado - 5€
Profissional do espetáculo - 5€